Admissão de erros anima mórmons em crise com a igreja

Admissão de erros anima mórmons em crise com a igrejaO representante do presidente da Igreja do Nosso Jesus Cristo dos Estados Unidos, Dieter F. Uchtdorf, aceitou conversar com os fiéis que estão com dúvidas sobre a história da igreja e seus fundadores.
Entre os assuntos que mais chamam a atenção dos mórmons é o fato do fundador Joseph Smith ter se casado com várias mulheres sendo que muitas delas tinham maridos. Outro assunto que gera grande descrença nos seguidores é a proibição do sacerdócio para negros, regra estabelecida pelo sucessor de Smith, Brigham Young.
Ao admitir os erros a igreja tenta minimizar a crise interna, como observa a professora de inglês e literatura, Joanna Brooks, autora do livro “A Garoto do Livro dos Mórmons: Uma memória de uma fé norte-americana”.
“Eu vejo as mensagens irregulares e diferentes do púlpito neste fim de semana como prova de que há um diálogo robusto acontecendo no prédio da igreja sobre a crise da fé e as questões de gênero”, disse.
Para ela a comunicação dos mórmons funciona mesmo na base das discussões. “Quando os membros discutem, debatem e demandam resposta entre si, os líderes tentam resolver isso”.
O presidente da igreja, Thomas S. Monson, 86 anos, chegou a dizer que muitos se afastam da denominação por conta dos erros dos líderes antigos. Ele admite esses erros, mas lembra que os humanos são passíveis de cometê-los.
“Para ser franco, houve momentos em que membros e líderes da igreja simplesmente cometeram erros. Podem ter sido feitas ou ditas coisas que não estavam em harmonia com nossos valores, princípios ou doutrina.” Monson também falou que Deus é perfeito, mas Ele “opera através de nós, seus filhos imperfeitos”.
Estudiosos do tema aplaudiram a decisão da igreja em afirmar que seus líderes erraram, entre eles o professor Terryl Givens, que é autor de vários livros sobre o mormonismo. “Em um único golpe, ele [Uchtdorf] destruiu a mitologia cultural que tem sido a raiz da dúvida e do descontentamento que afeta os nossos membros”.
Fiona Givens, esposa de Terryl, também comemorou a decisão da igreja em abrir o debate sobre o assunto. “Vejo esse discurso como o bálsamo de Gileade para muitas pessoas que estão lutando com questões para as quais não conseguem encontrar respostas.” Com informações UOL.

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