Exposição Contas de Rezar propõe instrumentos de oração e meditação

A Santa Casa da Misericórdia de Guimarães inaugura no próximo domingo, dia 13, pelas 15h00, no Percurso Museológico do Convento de Santo António dos Capuchos, a exposição “Contas de Rezar”, de Júlia Lourenço, professora e investigadora da Escola de Engenharia da Universidade do Minho. 

A exposição resulta de uma colecção particular de Júlia Lourenço, que a iniciou em 1993 após a oferta de um terço icónico, o do primeiro presidente da Junta de Freguesia do Pinhão, homem visionário e dedicado ao desenvolvimento do Douro. 

Ao longo da sua carreira na UMinho, a coleccionadora visitou vários continentes, tendo adquirido diversos exemplares de valor artístico em países tão distantes como o Nepal ou a China. O espólio evoluiu nos últimos dez anos para exemplares de vários materiais, mais ou menos nobres, de períodos temporais mais ou menos recuados. 

Do conjunto de 230 elementos coleccionados há vários terços católicos do século XIX, bem como um “japa mala” budista com trabalho em semente, no qual, segundo o perito de arte Mário Zagalo, “o artesão esculpiu a matéria orgânica, recriando e metamorfoseando o objecto-semente em algo completamente novo, mas o tipo de composição iconográfica das contas assemelha-se bastante à das lacas do século XIX”. 

As datações das diversas peças ainda necessitam de validação, no entanto um dos terços pode ter cerca de 500 anos. Há ainda outro exemplar, de marfim, também confirmado pelo famoso geólogo Bernardo Reis, que pode ser anterior ao século XIX. 

As contas são instrumentos universais de apoio à oração e meditação, cuja origem não está absolutamente clara, embora se julgue que foi na Índia, terra-mãe de várias religiões, que surgiram os primeiros exemplares. Estas terão sido disseminadas pelos budistas no Tibete e os muçulmanos podem tê-las adquirido pelo contacto com a igreja grega. 

Também a igreja cristã do Oriente usou sempre o cordão da oração, que poderá ter chegado da Índia nas caravanas oriundas da Pérsia e da Ásia. Nos dias de hoje, às contas é também atribuída uma função decorativa, histórica e simbólica, definindo a ligação do homem com Deus. 

São estes e outros factos pouco conhecidos que podem começar a ser descobertos na exposição que abre portas no espaço museológico vimaranense no próximo domingo e fica patente até 13 de Maio de 2014.

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