Índia tem 14 milhões de escravos, muitos deles cristãos

A Índia é um dos países que tem mais escravos no mundo.  Os dados constam de um trabalho da organização não-governamental australiana Walk Free Foundation, publicado na quinta-feira em Londres e segundo o qual existem cerca de 30 milhões de escravos no mundo. 

Destes, 75 % vivem na Ásia. Só a Índia possui cerca de 14 milhões. 

Muitos, são cristãos, pertencentes aos “dalits”, os “sem casta”, também conhecidos como “intocáveis”, ou seja, à classe mais baixa da sociedade. Um número considerável destes escravos indianos dos tempos modernos reside em Orissa, que, segundo o Arcebispo de Cuttack-Bhubaneshwar, John Barwa, é “o estado mais pobre do mundo”. 

A Índia é, de longe, o país com o número mais alto de escravos, quase 14 milhões, mas o lugar onde o problema é proporcionalmente mais grave é a Mauritânia. 

Neste país do Norte da África, 4% de população vivem em regime de escravidão, segundo a Walk Free Foundation (WFF). 

O primeiro país latino-americano no "ranking" é o Haiti, que aparece em segundo lugar, atrás da Mauritânia. Também aparecem na lista Peru (65º), Suriname (68º), Equador (69º) e Uruguai (72º). 

Os dez países com maior número de escravos são Mauritânia, Haiti, Paquistão, Índia, Nepal, Moldávia, Benim, Costa do Marfim, Gâmbia e Gabão. 

A WFF espera que este relatório ajude os governos a vigiar e controlar o problema. 

“Surpreende muita gente ouvir que a escravidão ainda existe”, disse à AFP o director da organização, Nick Grono, acrescentando que “a escravidão moderna reflecte todas as características da antiga”. 

“As pessoas são controladas pela violência. São enganadas, ou forçadas a trabalhar, ou são colocadas numa situação em que são economicamente exploradas” e “não são livres para ir embora”, explicou.

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