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quarta-feira, 15 de julho de 2015

A cirurgia espiritual



A fé humana é fundamentada no “inexplicável”. É preciso crer para se conseguir as graças necessárias. Assim, não é de se estranhar que pessoas desenganadas pela medicina tradicional busquem através de métodos poucos ortodoxos uma cura para suas doenças. Algumas se tornam fervorosas de igrejas, procurando na reza uma explicação para seus males.
Porém, algumas também procuram o que seria uma cura mais “imediata”. Algo que viria do além. E é nesse ponto que as cirurgias espirituais tomam fôlego: ao tratar do “agora”, muita gente acredita em uma cura milagrosa. Mas como é feito esse processo? Há algo de real e concreto ou é puro charlatanismo? Fica difícil comprovar algo apenas por especulações, mas abordaremos alguns aspectos deste universo com este artigo. Preparado?

O mundo espiritual e o perispírito

Antes de tudo, é preciso entender como funciona a crença espírita. No espiritismo, existe algo além da matéria e do corpo físico. Seus seguidores acreditam em Deus e na comunicação com espíritos chamados de “superiores”. Para os espíritas, a “alma” possui estágios de crescimento, sendo necessárias algumas milhares de encarnações para atingir sua plenitude.
Allan Kardec foi um dos pioneiros nessa doutrina/filosofia e no estudo da mediunidade. Ele traduziu suas descobertas e crenças em livros que são fontes de referência para os espíritas até hoje – e olha que ele fez isso em 1857, com a publicação de “O Livro dos Espíritos”.
Allan Kardec publicou "O Livro dos Espíritos" em 1857
Foi Kardec quem cunhou o termo “perispírito”, para dizer que nosso corpo material possui um elo com a nossa alma (ou nosso espírito). Quando alguém diz ver “fantasmas”, o que ele estaria vendo é esse perispírito, que é invisível a nós enquanto corpo material, mas que, de alguma maneira, seria “semimaterial”.
O perispírito seria constituído de eletricidade, de um fluido magnético e de matéria inerte. Para os estudiosos dessa corrente religiosa, o perispírito e o corpo carnal “dividem” uma mesma matéria, mas em estados diferentes.
Seria no perispírito que ficariam registradas as "doenças da alma"

Medicina espiritual

O espiritismo acredita que muitas manifestações de doenças em nosso corpo material são resultados de ações de nosso espírito em outras encarnações que ficaram “impregnadas” no perispírito, podendo ser desde perturbações de outros espíritos quanto resquício de encarnações passadas.
Nosso corpo físico está sempre em transformação. Se nós comemos de forma errada, ficamos obesos. Se fumamos, podemos desenvolver câncer. E por aí vai... O perispírito também se transforma com esses hábitos, pois ele se trata de um fluido em torno de uma inteligência. Porém, além da matéria física, a própria “inteligência” pode afetá-lo: pensamentos, ações e consciência fazem parte da transformação do perispírito.
Através do passe espírita, os médiuns conseguem canalizar bons fluídos do mundo espiritual
Ou seja, se estamos doente e apenas tomamos remédios, podemos curar nosso corpo físico. Mas certas doenças estariam muito mais enraizadas e seria necessário curar o plano “semimaterial” para podermos nos livrar delas.
É aí que entra o “passe espiritual”. Para quem não segue a doutrina, é só imaginar que alguns de seus seguidores conseguem uma conexão maior com o mundo espiritual e, através disso, podem canalizar bons fluidos para as pessoas. É como mandar energia positiva para alguém, mas em um nível espiritual.

Cirurgia espiritual

Assim como o Cristianismo possui diversas vertentes, o estudo do Espiritismo também tem diferentes ramificações. Várias tribos indígenas ao redor do mundo alegam manter contato com esse universo espiritual, fazendo com que práticas associadas ao espiritismo sejam muito mais antigas do que o que foi fundamentado por Allan Kardec há quase 200 anos.
O que é considerado prática espírita também é um ponto de divergência. Muitos centros espíritas têm práticas mediúnicas que não são abertas ao público, enquanto outros locais realizam as cirurgias espirituais às centenas, diariamente, acompanhadas ou não do estudo da obra de Kardec.
Há relatos de cirurgias mediúnicas que datam de milhares de anos! Falando desse fenômeno como algo mais recente, ele se popularizou no Ocidente a partir da década de 1940, nas Filipinas. Começou com Eleutério Terte e tomou grandes proporções com Antonio Agpoa, já nos anos 60.
Antonio Agpoa realizando uma cirurgia espiritual no olho de um paciente
Agpoa ficou popular, inicialmente nos EUA, com a publicação de um livro que relatava suas cirurgias espirituais através de incisões (cortes na pele) e retirada de tecidos. A partir daí, muitos norte-americanos e europeus procuraram o “curandeiro” atrás de milagres para suas enfermidades.
Entretanto, os defensores da cirurgia espiritual alegam que, a princípio, não se precisaria cortar e nem retirar nada. A cura estaria no nível do perispírito, e ele não tem uma “matéria” para ser retirada. Porém, muita gente só acredita que algo está agindo sobre o próprio corpo quando sente que algum tipo de intervenção está sendo feita.

Psicocinese, efeito placebo ou milagre?

Os instrumentos utilizados por pessoas que se dizem médicos espirituais podem ser desde facas de cozinha e tesouras a bisturis tradicionais, sendo que normalmente eles não são esterilizados. A maioria dos médiuns, entretanto, prefere usar apenas os poder das mãos para agir sobre os males de quem os procura.
A psicocinese poderia explicar essas “curas”. Ela trata do poder da mente de “mexer objetos”. Aplicada sobre seres vivos, seria a habilidade de mexer com a alma (ou o perispírito), consertando as “falhas” dessas estruturas. Muitos fazem isso através da incorporação encarnação de médicos famosos, como o Dr. Fritz ou o Dr. Hans.
Essas cirurgias ainda são pouco estudadas pela medicina tradicional ou mesmo por especialistas que possam comprovar sua eficácia. A maioria dos céticos acredita que se trata apenas de um efeito placebo: o paciente acredita tão fervorosamente que está sendo curado que efeitos psicossomáticos são notados em seus cérebros, aumentando a sensação de bem-estar e a crença de que estão curados.
A cirurgia espiritual poderia ser resultado da psicocinese ou ter apenas um efeito placebo?
Vale lembrar que muitos locais que promovem a cura espírita recomendam a reforma íntima de seus frequentadores como uma forma de profilaxia para que a enfermidade não retorne. Como dissemos no começo, acredita-se que nossas ações nos causam doenças, então é preciso cuidar para não continuar agindo de forma a voltar a ter esses problemas no futuro.
As curas são realizadas para atender a um sofrimento emergencial, mas é recomendado que a pessoa busque refletir sobre suas ações e posicionamentos para melhorar sua qualidade de vida espiritual.

Turismo religioso

Os discípulos de Antonio Agpoa transformaram as Filipinas na grande meca dos “curandeiros espirituais”. Ainda que não se cobre pelas consultas, os fiéis que conseguem uma cura milagrosa acabam fazendo doações generosas a esses centros, que transformam regiões inteiras em grandes polos turísticos.
É o que acontece no Brasil na pequena cidade de Abadiânia, em Goiás. É lá que o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, opera seus milagres supostamente através do “recebimento” do espírito do Dr. Hans. O município de apenas 15 mil habitantes lucra com os turistas de diversos cantos do mundo que vão atrás do religioso na esperança de se livrarem de seus males.
Comércio de Abadiânia cresceu com a popularização da Casa Dom Inácio de Loyola, onde atende o médium João de Deus

Dr. Fritz: o mais brazuca dos médicos alemães

Mundialmente, o Brasil só perde para as Filipinas em termos de importância no universo das cirurgias espirituais. Apesar de hoje em dia o principal nome nacional ser o de João de Deus, que incorpora o espírito do Dr. Hans em suas cirurgias, foi nos anos 1950 que o país teve seu grande “boom” nesse ramo.
E o nome que ficou mais conhecido por conta disso foi o do Dr. Fritz. Ele teria sido um alemão, de nome Adolf Fritz, que nasceu em Munique em 1876. Depois de se formar em Medicina, ele teria atendido feridos nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial – sempre com limitados recursos cirúrgicos. Fritz teria morrido em 1918, de causa desconhecidas.
Desenho atribuído como sendo o Dr. Fritz
O primeiro médium a incorporar o Dr. Fritz teria sido José Arigó. Supostamente, ele teria sido amigo do médico alemão na época da Primeira Guerra durante sua vida passada, vindo a reencarnar no Brasil anos depois. Por isso, ele teria uma grande ligação mediúnica com Fritz. Alguns ainda alegam que foi Aleijadinho quem pediu ao alemão vir “trabalhar” no Brasil depois de desencarnado.
José Arigó morreu violentamente em um acidente de carro no começo dos anos 70. Depois dele, outros médiuns alegaram receber o espírito de Dr. Fritz – e ao menos dois deles também vieram a falecer em acidentes de carro. Atualmente, dois médiuns estariam trabalhando sob as influências do alemão: Rubens Farias Jr., no Rio de Janeiro, e Aylla Harard, em Guaratinguetá (SP) e Caçapava (SP).
Zé Arigó em foto para revista italiana sobre o médium brasileiro

Medicina tradicional

A grande maioria dos médiuns que realizam cirurgias espirituais aconselha que os pacientes não devem abandonar a medicina tradicional – mesmo em casos em que ela não tenha mais recursos para fornecer uma cura ou uma solução para a doença da pessoa.
Alguns estudiosos ainda estão analisando a eficácia do tratamento espiritual, apesar de muita gente considerar isso apenas falcatrua. Um artigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) concluiu o seguinte: “As cirurgias são reais, mas, apesar de não ter sido possível avaliar a eficácia do procedimento, aparentemente não teriam efeito específico na cura dos pacientes. Sem dúvida, nossos achados são mais exploratórios que conclusivos. São necessários posteriores estudos para lançar luz sobre esse heterodoxo tratamento”.
E você? Já procurou algum médium para fazer alguma cirurgia espiritual? Acredita que a cura espiritual pode influenciar na cura do corpo material? Não deixe de comentar! 
Você acredita em cirurgia espiritual?  Eu pessoalmente não ehehehehe...
Fontes :megacurioso

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