Os dois pastores acusados da morte de Lucas não serão julgados em júri popular pois a juíza do caso entendeu não haver provas contra os réus.
A acusação contra os pastores surgiu do depoimento do ex-pastor da denominação, Silvio Roberto Galiza, que foi condenado a 18 anos de prisão, depois teve a pena reduzida a 15 e atualmente cumpre a sentença em regime aberto.
Galiza afirmou em depoimento que o menino havia sido morto depois de ter flagrado os dois pastores acusados de sua morte fazendo sexo dentro da igreja. “Ele [Galiza] falou que ele [Lucas] foi morto porque viu, sem querer, os bispos fazendo sexo dentro da igreja”, relembra o pai do menino, Carlos Terra.
Para a magistrada Gelzi Almeida, o depoimento de um condenado não é prova suficiente para levar os réus a júri: “São testemunhas que falam da conduta da Igreja e dos pastores diante do desaparecimento da vítima, e em muitos trechos, se contradizem, inclusive, em relação aos depoimentos prestados no processo contra Silvio Galiza cuja instrução ocorreu no ano de 2002 e o fato em 2001”, pronunciou-se a juíza, de acordo com informações do G1.
Outro ponto da decisão de Gelzi Almeida ressalta que a acusação contra os pastores é permeada de narrações sem provas e sem apoio no depoimento do ex-pastor Galiza: “Outro fator importante, é que a denúncia narra fato que nem as declarações de Silvio Galiza trazem, e que são imputados aos denunciados, ou seja, não tem indícios probatórios também”, escreveu, antes de desqualificar as declarações do ex-pastor em seu parecer: “São contraditórias, inverossímeis, frágeis, e até fantasiosas e tem o firme propósito de eximí-lo da responsabilidade da condenação que já lhe foi imposta. Tais declarações, portanto, revelam-se incapazes de sustentar a acusação e submeter os réus a um julgamento perante o Tribunal do Júri, pois, não traduzem indícios suficientes de autoria”.
O promotor responsável pelo caso, Davi Gallo, demonstrou não aceitar a decisão: “Vou recorrer. Os depoimentos sustentam. Tenho convicção disso”, afirmou.
O pai do menino, protestou e também desqualificou a magistrada: “O meu filho foi queimado vivo. O laudo do DPT prova que lucas estava com vida. É uma juíza substituta que pegou processo outro dia. A família não aceita [a decisão]. Não dá para aceitar. Quem tem que julgar é a sociedade. Não é furto, uma coisa qualquer, acidental”.
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