Vaticano discute fim do celibato na Igreja

O recém nomeado secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, considerou em uma entrevista ao jornal El Universal que o celibato "não é um dogma da Igreja", mas um preceito que pode ser "discutido".
O celibato "não é um dogma da Igreja e pode ser discutido porque é uma tradição eclesiástica", declarou Parolin, ao admitir que este debate é um "desafio" para o Papa Francisco, que o designou em 31 de agosto ao posto de número 2 da Igreja.
"O esforço que a Igreja fez para instituir o celibato eclesiástico deve ser considerado. Não se pode dizer, simplesmente, que pertence ao passado. É um grande desafio para o Papa (...) e todas essas decisões devem ser assumidas como uma forma de unir a Igreja, não de dividi-la", acrescentou na entrevista publicada no domingo.
"É preciso levar em conta o momento de se adotar decisões, os critérios (a vontade de Deus, história da Igreja), assim como a abertura aos sinais dos tempos", opinou o próximo secretário de Estado, que assumirá sua funções em 15 de outubro em substituição ao polêmico Tarcisio Bertone.
Parolin, nascido na região de Véneto (nordeste da Itália), também considerou que as mudanças no Vaticano, como as promovidas pelo Papa, podem ser alcançadas com um "espírito democrático" e "uma condução colegiada da Igreja onde todas as instâncias podem se expressar".
"Sempre foi dito que a Igreja não é uma democracia. Mas é bom, atualmente, que haja um espírito mais democrático no sentido de escutar atentamente, e creio que o Papa tem feito disso um dos objetivos de seu pontificado".
Desde a eleição em março de Francisco, uma ampla reforma da Cúria -governo do Vaticano- está em andamento. O Papa nomeou várias comissões encarregadas de tratar das mudanças nesta instituição e da lavagem de dinheiro do Vaticano. As grandes linhas da reforma da Cúria serão anunciadas no início de outubro.
Parolin, de 58 anos, era núncio da Venezuela desde agosto de 2009. Sua gestão foi marcada pelas tensões entre o episcopado venezuelano e o governo de Hugo Chávez, morto em março.

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