Santa Casa investe um milhão no restauro da Igreja da Conceição Velha

Uma das jóias da época dos descobrimentos vai ser recuperada pela Misericórdia de Lisboa. A igreja da Conceição Velha, na baixa, foi a primeira sede da Santa Casa, que decidiu, também por isso, assumir a sua recuperação. 

A obra vai custar mais de um milhão de euros, um investimento necessário mesmo em tempo de crise, diz o provedor Pedro Santana Lopes: “Especialmente nestas alturas de crise, quando um país não olha como deve ser para a sua cultura, e para as raízes da sua identidade, está a errar. Aqui foi onde nasceu a Santa Casa da Misericórdia.” 

“Portanto não deixamos cair, quer pelo valor patrimonial mas também pelo valor histórico. No compromisso da Santa Casa estão as obras materiais e espirituais. Esta é uma obra material e espiritual, porque aqui muitas pessoas são apoiadas, muitas são ajudadas, e só de visitar este monumento e espaço religioso as pessoas sentem-se confortadas e são ajudadas. Estamos muito bem seguros da decisão que tomámos, no respeito pelas nossas obrigações”, acrescenta. 

Situada numa das vias com mais trânsito na Baixa de Lisboa, a rua da Alfandega, a igreja da Conceição Velha está a precisar de obras urgentes: “Quando se chega a esta igreja e se vê aquele pórtico fantástico, manuelino, apetece entrar para ver o resto, e quando se entra apanha-se um choque com a decrepitude do seu interior”, explica o padre Mário Rui Leal Pedras, reitor da igreja. 

A igreja foi gravemente danificada pelo terramoto de 1755, e depois reconstruída, mas já sem a dimensão inicial: “A igreja tinha uma outra traça, uma outra dimensão, era semelhante à dos Jerónimos, com três naves, é reconstruída com outra dimensão e outra traça, para se aproveitar o pórtico lateral, que ficou como pórtico principal, e a capela lateral que passou a ser a capela-mor.” 

Nesta primeira fase, explica o padre Mário Rui, “o cumprimento de hoje era a sua dimensão”. 

Nos 250 anos do terramoto recuperou-se a capela-mor, agora este projecto de conservação e restauro vai incluir a criação de um novo pólo de arte sacra na Baixa: “Vamos criar um núcleo museológico que juntará na geografia das paróquias da Baixa-Chiado outro conjunto que já temos, por exemplo aqui a Sé Patriarcal, como São Roque, o Museu Antoniano, e passaremos a ter aqui um conjunto museológico com o tesouro desta igreja a que se juntarão algumas peças do tesouro de São Nicolau e de Santa Maria Madalena.” 

Monumento nacional desde 1910, esta é uma das igrejas que atrai mais turistas à Baixa-Chiado: “Bem próximo daqui chegam os cruzeiros à cidade de Lisboa. Em Junho e Julho desceram aqui, a 100 metros de nós, 60 mil pessoas, e muitas delas passaram por aqui. Estas igrejas não são só igrejas de residentes, são igrejas de passantes e de turistas, de pessoas que trabalham aqui. Nas igrejas da Baixa Chiado temos 33 missas diárias e passam pelas nossas igrejas, nas missas, cerca de cinco mil pessoas por dia”. 

As obras não vão obrigar a encerrar a Igreja ao culto, e devem estar concluídas no final do próximo ano, a tempo da inauguração a 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição.

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