O Exorcismo em diversos povos e religiões

O Exorcismo é o acto de expulsar os espíritos malignos e/ou demónios do corpo de alguém, locais ou objectos, que, supostamente, estão possuídos ou atormentados por eles, ou que são susceptíveis de chegarem a ser vítimas ou instrumentos da sua maldade.
Pode ser definido também como o acto de utilizar os meios para este propósito, especialmente a repreensão solene e autoritária do(s) demónio(s) em nome de Deus, ou qualquer poder superior ao qual se está sujeito.

A palavra "Exorcismo" não é em si mesma bíblica. Vem do grego "Exorkizo", que foi usada na tradução grega em passagens bíblicas (Génesis, Livros dos Reis e Mateus.
A palavra "horkizo" e o substantivo "exorkistes" (exorcista) aparece nos "Atos", aplicado a uns Judeus que andavam pelas terras e professavam ser capazes de expulsar os demónios. Essa expulsão é feita quando o exorcista o ordena e é o primeiro significado do exorcismo. Quando, como é o caso do uso cristão, a expulsão é feita em nome de Deus ou de Cristo, o exorcismo é estrictamente um acto ou ritual religioso.

Noutras religiões (estudas pelos antropólogos), e entre os Judeus desde o tempo o tempo em que era um acto popular, o exorcismo, acto religioso, foi amplamente substituído pelo uso de meios supersticiooso e mágicos, uso este a que os escritores não católicos de hoje dão um carácter cristão.
A superstição não deve ser confundida com religião, apesar do facto de grande parte das suas histórias terem sido uma mistura de muita coisa. Nem mesmo a Magia Branca pode ser confundida com rituais religiosos legítimos.


AS RELIGIÕES ÉTNICAS

A utilização de meios de protecção contra os males infligidos por espíritos malignos, reais ou não, segue naturalmente a existência da fé na sua existência e é, e sempre será, a característica das religiões étnicas, independentemente do seu estádio de desenvolvimento.
Apenas duas das religiões da Antiguidade (a egípcia e a babilónica) se enquadram nesta linha de pensamento.
Mas não é uma tarefa simples, sobretudo no caso destas duas religiões, isolar o tema do exorcismo de toda a massa de pura magia na qual o ritual está submerso.
Os egípcios atribuíam aos demónios certas enfermidades e vários tipos de males, acreditando na eficácia das palavras mágicas e dos encantamentos para os espantar ou expulsá-los. O morto necessitava especialmente de ser fortalecido pela magia de forma a passar com segurança e tranquilidade do palno terreno para o plano espiritual. Todavia, não existem registo claros da prática do exorcismo nos documentos egípcios que nos chegaram até hoje. O caso mais famoso foi a expulsão de um demónio da filha do Príncipe Bekhten, em quue se invocou o deus Khonsu para tal fim. O demónio retirou-se quando confrontado pelo deus egípcio e fez-lhe um grande banquete antes que ele abandonasse o local.
A magia babilónica misturava-se amplamente com a medicina. Certas doenças eram consideradas possessões demoníacas e o exorcismo era considerado a única forma de as curar. Assim, eram empregues certas fórmulas de esconjuro, através das quais algum deus, deusa ou deidade era invocado para expulsar o mal e curar as consequências da possessão. Uma das fórmulas de exorcismo usadas na Babilónia era a seguinte:

«Ao demónio que se apodera de um homem,
Ao demónio (ekimmu) que se apodera de um homem,
Ao demónio que causa o mal,
Ao demónio do mal, Conjura,`
Oh espírito do céu;
Conjura,
Oh espírito da terra»




EXORCISMO ENTRE OS JUDEUS

Não existe no Antigo Testamento casos em que os demónios foram expulsos pelos homens. No Livro de Tobias, foi uma anjo que levou o demónio embora e o prendeu no deserto do Egipto.
Na literatura judaica fora do cânone bíblico, existiam encantamentos para exorcisar os demónios que se encontram no Talmud. Estes encantamentos, por vezes, estavam escritos em superfícies internas de placas de madeira, existindo ainda hoje uma colecção que se estima ser do século VII a.C., que se encontra guardada no Museu Real de Berlim. As principais características dos exorcismos judaicos eram a menção de nomes que se acreditava serem eficazes. Era o caso dos anjos bons que podiam ser usados sozinhos ou em conjunção com o nome de Deus.
No entanto, a crença na mera utilização de nomes caíu em desuso entre os Judeus e passou-se a considerar que era mais importante usar nomes apropriados, facto que variou bastante ao longo dos tempos e consoante as ocasiões.
Mas não existem dúvidas de que esta crença supersticiosa foi o que impulsionou os filhos de Ceva que tinha assistido a exorcismos feitos por São Paulo em nome de Jesus Cristo. Para eles, os resultados foram um desastre.
Existia uma crença popular judaica que dizia que Salomão havia recebido o poder de tomar os demónios e que tinha composto e transmitido uma certa fórmula que era eficaz para este propósito.
Um historiador judeu recordou que um homem chamado Eleazar, na presença do Imperador Vespasiano e dos seus oficiais, teve êxito através de um anel mágico aplicado no nariz do possuído em que o demónio saiu pelo nariz. A virtude do anel devia-se ao facto de conter uma raíz rara indicada na formula de Salomão, a qual era extremamente difícil de conseguir.
Aparte das superstições e da magia, na resposta de Jesus Cristo aos Fariseus que o acusavam de lançar demónios pelo poder de Belzebu, ao que ele respondeu: " E se eu expulso demónios pelo poder de belzebú, os vossos filhos expulsá-los-ão pelo poder de quem?


O EXORCISMO NO NOVO TESTAMENTO

Assumindo a realidade da possessão demoníaca contra a qual a autoridade de Jesus Cristo era garantida, há que ter em conta que Ele apela ao Seu poder sobre os demónios como sinal reconhecido de ser Ele o Messias. Ele expulsava os demónios sob a influência do Espírito Santo. para os seus adversários era com o poder do príncipe das trevas.
Cristo também mostrava que não exercia apenas um mero poder delegado por algo superior. Ele próprio era uma autoridade. E isso era visível na forma directa e imperativa com que ordenava aos demónios para partirem. No caso da filha da mulher de Canaã, o exorcismo foi feito à distância. Também permitia, por vezes, que os demónios expressassem o seu conhecimento de Jesus como o "Santo de Deus".
Cristo deu o poder aos seus Apóstolos e Discípulos para também eles expulsarem os demónios em seu nome quando ele não estava. Aos crentes, foi-lhes prometido o mesmo poder. No entanto, a eficácia desta delegação de poder era condicionada e nem sempre os Apóstolos tiveram sucesso nos seus exorcismos. Tal como Jesus explicou, alguns espíritos podiam ser expulsos através da oração e do jejum. Por outras palavras o êxito do exorcismo por parte dos cristãos, em nome de Cristo, está sujeito às mesmas condições, das quais a eficácia da oração e o uso do poder carismático dependem.  Desde essa época até aos nossos dias o exorcismo é uma prática a que se recorre quando necessário.



EXORCISMOS DA IGREJA

A Igreja Católica segue o exorcismo nas vertentes do Exorcismo dos possuídos, do Baptismo e outras formas, sempre que necessário.
 No que diz respeito ao exorcismo dos possuídos, nos primeiros tempos não só os clérigos mas também os leigos tinham o poder de Cristo para libertar quem tinha o demónio no corpo, e o êxito por eles alcançado foi citado por muitos escritores como prova da origem divina da religião.
Óbviamente que em todos os testemunhos não havia menção à utilização de magia ou meios supersticiosos, embora nos primeiros séculos se usasse uma simples ordem em tom autoritário dirigida ao demónio em nome de Deus, mais concretamente em nome de Cristo crucificado. Era a forma habitual de exorcisar.
Algumas vezes faziam-se acções simbólicas como o sopro (insufflatio), a imposição das mãos ou fazendo o sinal da cruz. São Justino disse que os demónios fogem com o sopro dos cristãos, como se fosse uma chama que os queimasse. A imposição das mãos foi um método usado por Santo Ambrósio e o sinal da cruz era uma forma simples de expressar a fé em Cristo crucificado e ainda hoje é considerada muito eficaz contra todo o tipo de doenças demoníacas.
Desde o início da Igreja que se introduziu a prática de fazer exorcismo aos catecúmenos como preparação para o Sacramento do Baptismo. Não significava que estivessem possuídos, tendo apenas sido sujeitos à presença do pecado original e dos pecados pessoais em adultos. Assim, o Baptismo libertá-los-ia de todos os pecados, deixando de estar vulneráveis às obras do demónio. A Exsufflatio, ou expiração do demónio por parte do catecúmeno, era símbolo da renúncia às manobras do demónio enquanto a Insufflatio, ou expiração do Espírito Santo pelos ministros e Assistentes da Igreja, simbolizava a infusão da graça do Sacramento. A maioria destas cerimónias antigas foram mantidas por alguns grupos dentro da Igreja até aos nossos dias, traduzindo-se no baptismo Solene.

Segundo a crença católica, os demónios ou anjos caídos mantiveram um grande poder natural como seres inteligentes sobre os universo material, usando objectos e essas mesmas forças para os seus propósitos malignos. E sobre este poder que é em si mesmo limitado e sujeito ao controle da Divina Providência, crê-se que lhes foi permitido exercer uma influência mais ampla dadas as consequências do pecado da humanidade. Assim, os lugares, as coisas e as pessoas são naturalmente possíveis vítimas de infestação diabolica, dentro dos limites permitidos por Deus, e o exorcismo, neste caso, não é mais do que uma oração a Deus em nome da sua Igreja para que esse poder maligno seja limitado de forma sobrenatural.
As principais coisas utilizadas no exorcismo são a água, o sal e o azeite, usados nas pessoas e na consagração de lugares como Igrejas e objectos (altares, túmulos, etc.). A água benta, à qual os fiéis têm acesso mais fácil, é uma mistura de água e sal. Na oração pede-se a Deus que abençoe todos os que usarem esses objectos e que os proteja contra o demónio. Este tipo de exorcismo indirecto, através de objectos exorcizados é uma extensão da ideia original. Mas não nos traz nada de novo e tem sido usado pela Igreja desde os tempos mais longínquos.
No entanto, temos de ter em atenção que um exorcismo está sujeito a regras. E essas regras são para ser respeitadas:
  1. Somente um Sacerdote pode realizar um exorcismo e tem de ter preparação para tal;
  2. É necessária aprovação e supervisão do Bispo local;
  3. A vitima tem de consentir o ritual. Caso contrário, não pode ser levado a cabo.
  4. Para se proceder a um exorcismo e necessário confirmar a possessão através de sinais específicos espirituais, investigar o caso de forma rigorosa que confirme que a vítima não sofre de doenças físicas ou mentais não deixando dúvidas para uma possessão
O exorcista tem de provar a natureza espiritual do problema com que se depara, sem sombra de dúvidas. Temos de ter em atenção que a esquizofrenia e epilepsia são doenças tratáveis e que na Idade Média essas pessoas enfermas eram enviadas para a fogueira por possessão demoníaca. Então, temos de ter a certeza absoluta que a causa é sobrenatural e não tem cura ou melhoras através de tratamento médico.
Existem sinais que podem ajudar à identificação de possessão:
  • A vítima fala em línguas que desconhece, sendo as mais frequentes o latim, o aramaico, o grego antigo;
  • Saber coisas que seria impossível saber;
  • Força física sobrenatural;
  • Fenómenos físicos paranormais

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