D. Manuel Clemente pede visão alargada para entender problemas dos portugueses

O Patriarca de Lisboa disse que Portugal tem de olhar para o contexto internacional como via de “esperança” e de entendimento do bem comum para a humanidade. 

“Não entendo qualquer futuro para a Europa sem incluir uma visão de fora, ainda assim com esperança”, afirmou D. Manuel Clemente na sessão de encerramento da conferência “Diálogo e Democracia – instrumentos para a paz na Europa”, por ocasião dos 50 anos da encíclica “Pacem in Terris”. 

O Patriarca lembrou os “relatos”, que chegam de Lampedusa, ilha italiana, onde “tantos que tentam chegar a terra. Esta situação não se pode entender sem o entendimento de outros continentes”, afirmou lembrando que “o que falta dramaticamente a uns na Europa, em África atinge fatalmente muitos”. 

D. Manuel Clemente lembrou que a razão de ser da autoridade política é “a promoção do bem comum que não pode separar-se do bem que é próprio de toda a humanidade”. 

Lembrando a característica “universalista” da encíclica «Pacem in Terris», que se dirige a “todos os homens de boa vontade”, o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa lembrou o “testamento do Papa João XXIII”. 

“A encíclica adiantava princípios e caminhos para a resolução de qualquer realidade, lembrando que na regulação internacional, a acção deve ser entendida para o bem comum”. 

“Somos portugueses na Europa e europeus no mundo, mas incluídos no espaço europeu e comunitário, preocupados com graves problemas internos e de sustentabilidade, dependentes de decisões que excedem e fogem do nosso campo de escolha, não percebemos que só internacionalmente poderemos encarar os problemas e defender o que poderá ser nosso”.

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