Árvore genealógica mórmon quer indexar toda a humanidade

Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias quer chegar a Adão e Eva
Árvore genealógica mórmon quer indexar toda a humanidadeÁrvore genealógica mórmon quer chegar a Adão e Eva
Desde sua fundação, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais comumente chamados de mórmon, tem se dedicado a registrar minuciosamente as árvores genealógicas dos seus fiéis. Isso faz parte de seus ensinamentos, pois quando Joseph Smith começou a difundir seus ensinamentos, no final do século XIX, dizia que os membros da igreja deveriam fazer um ritual de batismo no mormonismo para seus antepassados.
Sua ambição de cadastrar todos os seres humanos em um banco de dados tem, literalmente, séculos. Com a ajuda da tecnologia, hoje existe um departamento dentro da igreja que se dedica a investigar a ligação de parentesco de toda a raça humana. Décadas atrás, a igreja começou a enviar representantes para localizar registros em diferentes países do mundo.
Com sede mundial em Utah, Estados Unidos, na década de 1920 a igreja começou a gravar as informações sobre genealogias em cartões de papel. Em 1938, começou a fazer cópias em microfilme. Na década de 1950, temendo uma nova Guerra Mundial, criaram um cofre gigantesco no interior das Montanhas Granity.
Hoje, é possível encontrar nos arquivos mórmons registros familiares de chineses com data antes do nascimento de Cristo. Em resumo, basta dizer que a catalogação da Igreja equivale a 32 vezes a quantidade de informações da Biblioteca do Congresso, considerada a maior do mundo.
Jay Verkler é o atual diretor da Family Search, a organização Mórmon que gerencia os registros de genealogia em todo o mundo. Considerado um prodígio da programação desde sua infância, ele administra os poderosos computadores que guardam dezenas de novos registros diariamente.
São 220 equipes de coleta de dados atuando em quarenta e cinco países, fazendo versões digitais de novos registros (certidões de nascimento, atestados de óbito e registros de terra) e enviando para a sede. Uma rede de voluntários escaneia os dados e coloca tudo online, o que faz a igreja ser literalmente líder mundial em armazenamento de dados digitais.
Ele explica: “Os membros da igreja buscam seus antepassados, pois achamos que temos uma obrigação de ajudá-los a entender esse evangelho como nós entendemos, e pensamos que assim poderemos realmente estar juntos na eternidade.”
Iniciados nos EUA, hoje existem mais de 3.400 “Centros de História da Família” em todo o mundo. Neles, os registros genealógicos coletados pela igreja estão disponíveis a todos os interessados.
O projeto mais ambicioso da igreja é a versão online de sua gigantesca árvore genealógica. Qualquer pessoa pode entrar no site familysearch.org e cadastrar sua própria família, fornecendo tantos detalhes quanto possível, incluindo fotografias. Caso uma pessoa identifique que já foi citada, pode editar, fazendo correções e acrescentando dados, ligando mais parentes aos que já estão lá. Recentemente foi lançado um aplicativo que permite fazer isso de qualquer smartphone.
Sendo assim, os mórmons desejam fazer nada menos que a árvore definitiva de toda a humanidade. Ou seja, chegar (se for possível) até Adão! Um esforço, até o momento, impossível, mas que deu um salto gigantesco desde o início do processo.
O trabalho está longe de ser concluído e tem encontrado dificuldades. Na década de 1990, um grupo de Mórmon começou a registrar todos os nomes das vítimas do Holocausto, para aparentemente, batizá-las.
Líderes judeus protestaram e, num acordo firmado em 1995, a Igreja mórmon concordou em remover os nomes de todo esse judeus de seus registros. Eventualmente, muitos deles voltaram a fazer parte da árvore ao serem indexados por outras pessoas. Em 2008, o Vaticano enviou uma carta às paróquias de todo o mundo pedindo-lhes para não compartilhar seus registros com genealogistas mórmons. O objetivo era impedir o batismo e “violar” o testemunho de fé dos mortos.
Verkler diz que a igreja aprendeu a lidar com isso, mas não vê diferença entre fazer um registro para lembrar dos antepassados e o costume católico de acender uma vela ou rezar uma missa por algum parente que já morreu.
Existem ainda questões que geram polêmicas, como a decisão de não cadastrar casais do mesmo sexo. Condenada pela igreja, a homossexualidade foi banida do sistema, ou seja, não existe a possibilidade de registrar um casal gay. Sendo assim, todos eles aparecerão como “solteiro/a”. Com informações New Republic.

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